sexta-feira, 3 de maio de 2013

A voz calma e aveludada do rádio

Aos cinco anos, caixinhas de fósforo presas por um fio eram a sua maneira de se divertir e de se comunicar. Sessenta anos depois, a comunicação ainda é o seu mundo

Por Fabiane De Carli Tedesco
Colaboração: Gesélio Catalan


No Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, celebrado em 3 de maio, o Jornal Sul Brasil encontrou uma figura que faz história nas ondas do rádio. Ivo Mendez, mais conhecido como Marquinhos, é um comunicador que teve o seu início ainda na Ditadura Militar, no ano de 1976. Além de comunicador/radialista, Marquinhos foi artista de circo, faz mapa astral, é inventor – tendo recebido o apelido de Professor Pardal –, cantor e eletrônico formado. De quando em quando, ele ainda sai pelas ruas de Chapecó vestido de palhaço, munido de seu violão italiano ornado de rosas.
Nascido “no dia em que a beleza entrou em férias”, como diz, em 11 de setembro de 1947, na cidade de Abelardo Luz (SC), aos cinco anos já se comunicava com os amigos à distância, por meio de caixinhas de fósforo presas por um fio. Ele não sabia que o rádio existia – só soube aos 11, 12 anos –, mas já conhecia a música. O apreço pela música o segue até hoje, já que Marquinhos é um grande admirador da música clássica, sentimental e italiana, sendo que o sertanejo de raiz tem um canto especial na sua vida. São músicas que ele busca no fundo do baú, surpreendendo ouvintes e colegas de profissão.
Em casa, Marquinhos guarda uma coleção de 800 discos de vinil e um Fusca 1976 – ano que marcou a sua estreia no rádio. Ao falar em carro, ele lembra de um acidente que quase tirou a sua vida e resume: “Nasci de novo”. Conhecido por ajudar as pessoas, Marquinhos acredita que é importante fazer o bem sem esperar recompensas. “A maior recompensa é ser feliz”, comenta. A voz calma e aveludada ainda ganha as ondas do rádio 37 anos depois, misturada às notícias que também compõem o seu “Show da Noite”.
Durante os quase 40 anos de rádio, Marquinhos já sentiu o poder da crítica e da incompreensão. Momentos em que o elogio não chegou, ferindo o que ele chama de “ego profissional”. “Tem sempre uns amigos da onça que não querem ver o seu triunfo e que invejam o seu carisma. Quando você recebe um ‘não’ como resposta, isso mancha o seu dia. Mas eu confio no meu talento e sempre digo: ‘se a sua estrela não brilha, não tente apagar a minha’”.
Nos tempos de ditadura, o comunicador diz que jogou limpo. “Sempre fui claro e agi sem medo das consequências. Já tratei de assuntos polêmicos, mas sempre com educação, agindo dentro da legalidade.” Na comunicação, trabalhou com televisão e também com jornal impresso, onde fazia reportagens, mas foi no rádio que encontrou o seu lugar ao sol. Ao longo dos 37 anos de rádio, percebeu o quanto a tecnologia mudou dentro e fora dos estúdios. Os discos de vinil e as fitas K7 deram lugar aos CDs e aos disquetes, que mais tarde foram também substituídos.
Aposentado, o comunicador não consegue se desvencilhar do rádio. “O rádio é a minha vida. É isso: o rádio, para mim, representa a vida.” O segredo para permanecer no ar por tanto tempo? “Carisma. O público gosta de alegria, gosta de quem sorri e de quem o faz sorrir. Isso, não tem dinheiro que pague.” A alegria o acompanha desde a sua estreia no rádio, quando apareceu em uma emissora, meio palhaço, meio cantor, para se apresentar para mais de 600 pessoas. “Eu não tinha um vozeirão, mas o dono do rádio gostou de mim e pediu para que eu voltasse.” Cantou músicas espanholas, pouco conhecidas pelo público chapecoense, e músicas italianas. Trinta e sete anos depois, Marquinhos ainda encanta milhares de ouvintes. “Não gosto de falar do meu trabalho; prefiro que as pessoas vejam (ou no caso ouçam) por si mesmas.”

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Cia ContaCausos no Radar


Cia ContaCausos de malas prontas

Apresentações em São Paulo fazem parte da agenda da companhia chapecoense, que procura fortalecer a identidade regional por meio da contação de histórias

Por Fabiane De Carli Tedesco


Foi no blog da Cia ContaCausos (www.contacausos.com.br) que um convite inesperado surgiu: se apresentar em São Paulo, no Serviço Social do Comércio – Sesc Itaquera. Assim, a Cia ContaCausos está de malas prontas, com viagem marcada para esta sexta-feira, dia 3 de maio. Até o dia 11 de maio, a Cia ContaCausos se apresenta na cidade que é uma das maiores do mundo.
É a primeira vez que a companhia sai do Sul do Brasil. Tudo isso graças ao blog, que serve para mostrar o trabalho dos membros da ContaCausos, recebendo semanalmente 1.500 acessos. São 10 apresentações de dois espetáculos: “Esticando as Canelas” e “Tem Coroa, mas não é Rei!”. Além das apresentações no Sesc Itaquera, a ContaCausos faz outras duas apresentações de “Tem Coroa, mas não é Rei!” no evento Virada Sustentável, no Museu Brasileiro da Escultura (MuBE), domingo, dia 5 de maio.
A ContaCausos é composta por diversas pessoas. Entre elas, Mariane Kerbes, que toca gaita em um dos espetáculos; Lucas Cruz, da Doss Propaganda, que cuida da identidade da companhia; Marcos Batista Schuh, responsável pelo cenário; e Josiane Geroldi, contadora de histórias.
Josiane conta que se apresentar em São Paulo representa uma conquista, que casa com a maior intenção da companhia: fazer com que um maior número de pessoas conheça as histórias que movem a ContaCausos. “Ir para São Paulo é um passo a mais”, comenta. Do mesmo modo que aconteceu em Porto Alegre após algumas apresentações da companhia, Josiane espera que convites para outros festivais apareçam a partir das apresentações em São Paulo.
Desde o ano de 2005, Josiane conta histórias, mas foi em 2010 que nasceu a ContaCausos, com a finalidade de agregar pessoas com o mesmo direcionamento. Para ela, Chapecó é fonte de ótimas histórias. “Aqui, há muitas narrativas a serem resgatadas, há um grande patrimônio regional. Pretendemos fortalecer a identidade da região, a exemplo do que acontece no Nordeste. Daqui, podemos levar o nosso trabalho para outros lugares, em um movimento de dentro para fora”, revela. 

Fotos: Mariane Kerbes

terça-feira, 23 de abril de 2013

Bolos no Radar


Parecem de verdade, mas não são!

Bolos cenográficos são opção para quem quer incrementar festas de diferentes motivos 

Por Fabiane De Carli Tedesco



Artesãos de Chapecó tiveram uma ideia diferente para incrementar festas. Embora tenham outras atividades, eles resolveram dar início à Ki Bolo - Bolos Cenográficos Personalizados a partir da dificuldade em encontrar um bolo cenográfico para uma festa de aniversário. Assim, surgia a ideia que deu origem à Ki Bolo.
O processo de produção é totalmente artesanal, feito de acordo com a necessidade do cliente. Tudo pode ser personalizado, conforme o perfil do evento. São bolos que parecem de verdade, feitos de biscuit, material também conhecido como porcelana fria. A escolha do material se deu pela sua resistência, adquirida depois da secagem completa.
A intenção dos artesãos é desenvolver e confeccionar bolos cenográficos, suprindo um mercado tão carente em Chapecó. Para eles, fazer isto de forma totalmente personalizada é essencial. Isto garante que o trabalho oferecido seja realmente especial. Os chapecoenses têm recebido muito bem esta ideia, já que o casal de artesãos não esperava por tanta procura.
Para divulgar os bolos cenográficos, utilizam o Facebook. Os modelos, disponíveis a pronta entrega, estão expostos na rede, para venda ou locação. Super-heróis, personagens de desenhos animados, seres fantásticos e elementos clássicos fazem a graça dos bolos, conhecidos pelo toque único de personalidade. 


Serviço
Telefones para contato:
(49) 8409-8362 e (49) 8413-8352
E-mail:
bolocenograficos@gmail.com

segunda-feira, 15 de abril de 2013

"Magus": um espetáculo de magia e comédia

A nova peça da Cia de la Curva une mágicas de salão e a linguagem clown, fazendo rir do início ao fim

Por Fabiane De Carli Tedesco



As cortinas se abrem e, no palco, duas figuras opostas como a água e o vinho misturam-se. Marri é humilde, brincalhona e espontânea. ChamPingnon é arrogante, sério e preocupado com a opinião da plateia. Os opostos compõem a peça "Magus", da Cia de la Curva, apresentada na sexta-feira, dia 12 de abril, no Serviço Social do Comércio (Sesc).
Manon Alves, que interpreta a doce Marri, conta que a peça teve o seu primeiro lampejo no ano passado, mas foi em janeiro de 2013 que ela e o esposo Fernando Perri, o ChamPingnon, se dedicaram integralmente à elaboração de "Magus". Neste mês de abril, a peça foi apresentada ao público, que delirou com a mistura entre a mágica (ou seria magia?) e o clown. Um espetáculo de mágica cômica, no qual Manon e Fernando são os criadores e os atores, que se filmam e se autodirigem.
Improviso e interação com os espectadores são elementos que podem ser encontrados em "Magus" que, na visão de Manon, brinca com o lado narciso do mágico. "O mágico tradicional tem aquele ar narciso, é aquele que nunca erra." Na peça, ChamPingnon, para ter a sua Marri de volta, desce do trono e se ajoelha, admitindo o erro. Marri, sempre submissa, tem o seu momento mais marcante quando inverte a situação, estendida por quase toda a peça.
O espetáculo, de mágicas de salão não reveladas, pende à magia. Perri revela que um ambiente mágico é criado, fundindo-se à linguagem clown, à linguagem do absurdo. É um espetáculo de bordões como o "é bom" de Marri. Ela, assim como ChamPingnon, fala em um francês meio misturado algumas inverdades divertidas ao longo dos 60 minutos de peça, de boas risadas e encantamento. Para se ver sozinho, em dupla ou em família, "Magus" terá a sua próxima apresentação no dia 12 de maio.